Born To Run: Bruce Springsteen

Mãe italiana. Pai irlandês. Nascido nos Estados Unidos. Criado para fugir.

Quando um grande músico e cronista decide escrever sobre sua trajetória de vida e carreira, somos levados numa envolvente e emocionante jornada em busca de afirmação, de um som, de uma banda, de um amor, de sobrevivência e do sucesso.

A eterna busca pela identidade, contada de coração aberto, nos é relatada pelos dias de glória e dias de luta cruzando a America de costa a costa. As experiências pessoais de um rockeiro se misturam com as transformações do país e sociedade.

O garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones, só queria uma guitarra. Ao conseguir, encontrou o caminho para fugir da vida suburbana pré-estabelecida, do pai problemático, do preconceito ao rock, da guerra no Vietnã, dos bares vazios de New Jersey, do que as gravadoras queriam e dos próprios medos.

O palco virou sua moradia, os parceiros musicais sua família e a estrada sua rotina.

Fazer músicas a partir do que testemunha representando o pensar de uma geração não é um talento natural. Foi muito suor e dedos machucados por alguns trocados até o primeiro hit, contrato para gravação e formação da E Street Band.

“Só tinha o meu talento. Não era um gênio inato. Teria de tirar o melhor proveito do que tinha – da minha astúcia, das minhas capacidades musicais, da minha habilidade para fazer boas performances, do meu intelecto, do meu coração, da minha força de vontade -, noites a fio, forçando os meus limites, trabalhando mais intensamente do que os outros, só para sobreviver sozinho no mundo em que vivia. Com 23 anos eu ganhava a vida tocando música!”

Born to Run - Bruce Springsteen
BORN TO RUN: BRUCE SPRINGSTEEN (EDITORA LEYA, 2016, 496 páginas)

O conflito de gerações, a segregação racial, a luta de classes, as guerras “patriotas”, as desilusões amorosas, os atentados terroristas e as feridas de um povo pelos olhos e palavras de quem compartilha dores internas semelhantes.

A personalidade centralizadora nas decisões da carreira, bem como o comando de uma grande e eclética banda, contrastam com os receios da vida em família com a parceira Patti e os filhos. A distância dos palcos e estúdios o transformava. Os fantasmas do passado e inseguranças futuras expostos em detalhes.

A formação, separação e reunião da E Street Band são destaques com relatos amorosos e respeitosos a cada integrante. Além do perfeccionismo na produção dos discos e o seu processo de composição que mostram os bastidores de uma longa e prolífica carreira num estilo musical em decadência de popularidade.

Dividido em três partes com crônicas temáticas, a autobiografia é um forte e belo documento de memórias. Contadas por quem tem talento para escrever e honestidade para abordar brigas profissionais, casos amorosos, separação, depressão, problemas mentais paternos, e principalmente amor pela música.

Revelações que descem o astro do olimpo do rock e nos torna mais fãs.

“É claro que todos nós crescemos, e sabemos que é “apenas rock’nro’ll”… mas não é. Após passar toda uma vida observando um homem que, noite após noite, realiza milagres para você, isso se parece muito com amor.”

Este slideshow necessita de JavaScript.


O cara que toca Raul e canta em português para conquistar o público brasileiro.

O líder que compartilha suor e lagrimas a cada show com os novos e velhos seguidores. Um patrimônio americano. Uma lenda internacional do rock.

O homem na estrada. Bruce “The Boss” Springsteen.

Anúncios

Um comentário

  1. Eu não sou fã de carteirinha do Boss, mas ele tem uma voz que o faz ser único, bem como uma capacidade musical impressionante. Além, é claro, de uma das músicas mais icônicas já escritas, em qualquer parte do mundo! Ele tem o meu maior respeito. Valeu pelo texto, Bruno.

Deixe uma resposta