Futebol e Política

“Futebol é um circo que aliena pois os políticos o usam para mover as massas.”

“Futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes.”

“Jogador de futebol é burro, não tem opinião e só se posiciona em campo.”

“Queria Copa do Mundo todo ano para esquecer por um mês meus problemas.”

“Vou torcer pela Argentina e contra o Brasil para ver se muda algo no país.”

“Todo dia um 7×1 diferente! Mas se o Brasil chegar na final, mais feriados!”

Frases feitas e repetidas por gerações que revelam o amor e ódio pelo esporte. De quatro em quatro anos e por um mês, os sentimentos voltam ao cotidiano.

Relação que não é exclusiva da pátria de chuteiras mas diz muito sobre nossa torcida.

Acha que é somente um esporte? Visite o Museu do Futebol em São Paulo e testemunhe a história brasileira através das nossas conquistas e derrotas.

Um patrimônio cultural. Por isso, a política não abandona o futebol?

Se a ficção ainda nos deve bons filmes de futebol, os documentários goleiam abordando fatos e revelando personagens além das quatro linhas.

Os Rebeldes do Futebol

O festival itinerante CineFoot rodou o Brasil na Copa de 2014 e tive oportunidade de ver esse filme francês conduzido pelo “rebelde” Eric Cantona, onde as histórias de cinco jogadores de nacionalidades e popularidades distintas são apresentadas.

Atletas que não se limitaram ao campo e atuaram politicamente e socialmente em tempos de conflitos em seus países, mostrando o poder do futebol. Entre estes, Sócrates e Drogba comprovam com ações que nem todo jogador é de pebolim.

Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor

O jornalista Lúcio de Castro investiga nessa série documental da ESPN Brasil as relações entre o futebol e as ditaduras militares em: Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. O reconhecimento foi internacional recebendo o Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo, em Medellín.

Em ano de eleições e “saudades” estranhas por tempos sombrios, uma aula de história.

A Paixão: O Segredo pelos Olhos de um Torcedor

19 de Junho de 2013, Fortaleza. Brasil x México, Copa das Confederações da FIFA.

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Sol de meio dia na cabeça. Caminhada longa depois de ônibus desviar dos protestos contra a Copa, a FIFA e políticos que ganharam muito com obras nunca terminadas.

De um lado da grade, os moradores do bairro humilde tentando ganhar seus trocados vendendo bebidas. O que não era permitido no território da FIFA e seus patrocinadores: o estádio Castelão reformado e superfaturado com o dinheiro da população.

Do outro lado da grade, torcedores e imprensa apressavam o passo para chegar a tempo.

O hino a capela arrepiou e apareci até no Jornal Nacional cantando naturalmente.

O saldo pós jogo pode ser visto na caminhada de volta: a destruição nas ruas com postes, carros e até geradores derrubados. Cenário de guerra.

– “Ganhamos o jogo dentro e fora de campo. Eles não chegaram perto do estádio.” Ouvi de um policial da guarda de elite. Eu estava sendo protegido e não sabia? De quem?

O Brasil ganhou o torneio com atuação de gala contra a Espanha no Maracanã, empurrado pela torcida que cantava o hino nacional de peito cheio.

O gigante acordou e os protestos cresceram tomando contas das ruas por um período.

Um ano depois, a seleção avançava na Copa ganhando da Colômbia em Fortaleza porém sem a naturalidade do hino, o bom futebol e perdendo seu principal jogador.

Aquele Brasil x Alemanha em Belo Horizonte já estava desenhado desde o sorteio da tabela. Os ingressos para a semifinal foram solicitados, a “sorte” nos sorriu e fomos para o Mineirão torcendo para uma final épica contra a Argentina no Rio de Janeiro.

Os alemães não tiveram piedade e mostraram a diferença de um futebol coletivo no placar. Pisquei e perdi um gol da Alemanha. Aplaudi de pé no final. Aquele dia foi louco.

O 7×1 aconteceu, a presidente caiu, o vice assumiu, o gigante hibernou e o resto é história para livros, séries e documentários com tendências e visões distintas.

Porém para um torcedor do futebol, pode ser o leão do Pici, o tricolor do Morumbi ou o escrete canarinho em campo… a paixão continua.

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